O Instituto de Emprego e Formação Profissional, segundo o Jornal de negócios de hoje não consegue melhor em 2006, do que a colocação de cinco em cada cem inscritos no mesmo. O que os dados mostram é que o IEFP é bastante ineficiente, apesar de toda a estrutura montada, este organismo não consegue ser um verdadeiro apoio às pessoas, existe o hábito bastante condenável de algumas pessoas que recebem o subsídio de desemprego, de acomodar-se até que o subsídio se esgote, outras esperam que seja o IEFP a encontrar-lhes emprego, os recém licenciados, os desempregados de longa duração, quem frequenta cursos de formação no IEFP não deve cometer o erro de esperar que o IEFP lhes ofereça oportunidades, deve procurar pelos seus próprios meios oportunidades. Era de esperar que este organismo tivesse uma relação muito mais activa com os sectores da economia locais.
terça-feira, 10 de abril de 2007
segunda-feira, 9 de abril de 2007
O Torcionário

Surpresa das surpresas, mais uma vez, um político com memória curta, pensado que a generalidade das pessoas também sofrem de igual problema, fez surgir em sua defesa um professor da Universidade Independente (Obviamente isto foi coincidência). Surge mais uma vez de paradeiro incerto, agora é sabido que se escondeu na UnI, o Torcionário, de seu nome António José Morais, aparentemente professor e duas vezes nomeado para governos socialistas, saíndo das duas vezes em vergonha, a última das quais por não ter melhor local para colocar uma emigrante brasileira, a quem achou graça e que trabalhava num restaurante de bacalhau num centro comercial de Lisboa, para os quadros da justiça portuguesa, sem concurso, afinal para quê adiar tão urgente aquisição para os quadros da função pública com um concurso, onde os outros possíveis candidatos nunca caíriam nas graças do António José tal foi o impacto causado por esta. Se estivesse em Inglaterra por exemplo, poderia ter alugado-lhe um apartamento e aparecia quando lhe desse jeito Sr. Morais. Já faltava tão pouco para eu não acreditar em mais nada do que fosse dito por este executivo, o Senhor Sócrates, só a pensar em mim, decidiu fazer emergir o Torcionário, dando-me muito mais do que aquilo que eu pedia para deixar de acreditar... Este Senhor foi só uma pontinha do icebergue com o que estava mal no governo de Guterres. Agora, após o seu humilhante afastamento (mais uma vez) da política, volta, a RTP certamente por falta de tempo nas reportagens omite o passado (tão recente) desta figura... O Armando Vara também estava sossegadinho para ver se ninguém reparava que tinha sido nomeado para a CGD, que tinha tirado a sua licenciatura na UnI e logo aparecem por todos os lados, ligações estranhas entre a UnI e o PS, serão certamente tudo invenções. Já agora este Senhor referia-se a José Socrates como um aluno sempre com o porquê na boca, visto os outros alunos da altura não se lembrarem do Sócrates (afinal de contas não é fácil lembrar de um tipo que está todos dias na televisão), certamente as questões eram colocadas em algum encontro na cafetaria de um dos ministérios?
quinta-feira, 5 de abril de 2007
Pense primeiro, não compre tudo que lhe dizem
Stefano DellaVigna, Universidade de Berkeley e Ethan Kaplan, Universidade de Estocolmo, estimam no seu trabalho "The Fox News Effect: Media Bias and Voting" publicado no segundo semestre do ano passado, após o estudo de uma amostra de 9256 cidades, que a introdução do Canal Fox News na televisão por cabo e devido à sua inclinação para o Partido Republicano, causou um aumento da votação no Partido entre 0,4 e 0,7 pontos percentuais nas eleições de 2000. A Fox News está presente em 20% das cidades americanas, segundo o estudo dos autores, entre 3% e 28% dos espectadores, dependendo da medição das audiências foram convencidos a votar nos Republicanos.
Aqui está um exemplo claro do que pode acontecer quando se acredita em tudo que se vê, a verdade fica algures perdida no meio de inclinações mais para a direita ou mais para a esquerda. É ver as recentes notícias de tentativa de silenciar a comunicação social por parte do gabinete do primeiro ministro. Estranho é ver a comunicação social que lhe estava mais próxima a manifestar-se contra esta pressão...
Aqui está um exemplo claro do que pode acontecer quando se acredita em tudo que se vê, a verdade fica algures perdida no meio de inclinações mais para a direita ou mais para a esquerda. É ver as recentes notícias de tentativa de silenciar a comunicação social por parte do gabinete do primeiro ministro. Estranho é ver a comunicação social que lhe estava mais próxima a manifestar-se contra esta pressão...
Os custos de agência
Mais um exemplo, após a PT, de que só quando as coisas ficam mal para a administração de uma grande empresa é que os accionistas saem a ganhar. Fernando Ulrich, o CEO do BPI, tal como a administração da PT, anunciou que vai distribuir uma grande parte dos lucros (40% aproximadamente) aos accionistas nos próximos anos. Mas porque é que não fizeram assim durante os anos recentes, antes da OPA? Um caso claro que os custos de agência continuam a ser um problema para os accionistas. Com toda a regulação que tem existido ainda é possível a uma administração produzir a sua própria agenda mesmo que essa não coincida com a dos accionistas.
O princípio desta coisa é bastante simples (princípio do dividendo), se não há projectos com retorno superior ao que os accionistas receberiam com outras aplicações, então devolve-se o dinheiro dos lucros aos accionistas (afinal de contas a empresa é deles). A PT e o BPI podiam fazer isto, mas só agora com o aperto é que alinham por esta política.
O princípio desta coisa é bastante simples (princípio do dividendo), se não há projectos com retorno superior ao que os accionistas receberiam com outras aplicações, então devolve-se o dinheiro dos lucros aos accionistas (afinal de contas a empresa é deles). A PT e o BPI podiam fazer isto, mas só agora com o aperto é que alinham por esta política.
quarta-feira, 4 de abril de 2007
Finalmente boas notícias
Segundo o Jornal de Notícias (artigo aqui), Ana Paula Vitorino, secretária de Estado afirmou que até 2009 arranca a linha Aveiro-Salamanca, com uma linha mista, de velocidade elevada para mercadorias (coisa que é o que Aveiro precisa) e alta velocidade para passageiros (Sinceramente não era o mais importante). Esperemos que tudo que a senhora disse, ou pelo menos o que vem no jornal seja cumprido, não seja adiado quando chegar a altura. Cabe ao poder político e empresarial local (do distrito) articular-se e combater para que não haja alterações...
terça-feira, 3 de abril de 2007
Ao Vladimiro Silva
Gostaria de esclarecer, em primeiro lugar, que se tem alguns valores que não estão correctos no meu post anterior, não foi por má fé, apenas pelo simples motivo de não encontrar facilmente dados em Portugal, os dados por mim utilizados foram os mesmos utilizados pela autoridade da concorrência aquando da análise do sector em Portugal.
O seu terceiro ponto no comentário que deixou: Quantos sectores na economia pensa que têm margens legais a regular o seu funcionamento? A minha análise não é Portugal contra os outros países, é concorrência perfeita ou não. Existem neste sector restrições do lado da oferta, com limitação de entradas no sector, limites de propriedade e as restrições de natureza quantitativa.
Ponto número quatro: Compreendo que não haja confiança no governo, se estivesse no lugar de um proprietário de farmácia também não confiaria no governo, contudo penso que a ANF serve os farmacêuticos, mas não se servirá também dos farmacêuticos?
O seu quinto ponto: Não possuo dados referentes à densidade populacional do Reino Unido para comparar com Portugal, nem sequer da legislação local, estes factores podem enviesar uma análise tão simplista dos números.
A questão da concorrência por só haver 3 concorrentes na Noruega, compare os preços dos bens nas dezenas de lojas de bairro (antes das grandes superfícies) com os preços na cidade de Aveiro com a existência de grandes superfícies (Feira Nova, Carrefour, Jumbo, Pingo Doce), estas passaram a representar mais de 90% das vendas de produtos alimentares no concelho e os preços caíram drásticamente. A concentração não significa menos concorrência.
O seu ponto seguinte: o monopólio é comercial, não é só quando um bem é fornecido apenas por um fornecedora nível nacional, se preferir eu uso a palavra oligopólio. A verdade é que o lobby do sector tem mantido o número de participantes no sector limitado, com forte regulação criando monopólios locais como afirmei antes. Coloque-se na pele de uma morador na Torreira, acabou de sair do centro de saúde local com uma receita. A que farmácia vai? Tem algum incentivo a andar uns quilómetros para ir a outra farmácia? (eu estou a falar em média, sem casos particulares).
A ANF, desculpe se pensa de outra maneira, é o veículo que mantêm as coisas mais ou menos como estão, os prejudicados são os consumidores finais.
Por fim, a minha escolha para a localização de uma farmácia seria exactamente Canelas, se possível no largo do Campo da Cruz, quanto a mim seria o local que maximizaria o meu número de clientes no panorama actual. Não em Estarreja.
Quanto aos pagamentos, certamente não confiaria no Estado se estivesse na pele de um proprietário, certamente os 1,5% cobrados pela ANF não são pela bondade do coração do senhor Cordeiro mas sim pelo conhecimento de que nunca nenhum estabelecimento actual conseguiria uma taxa mais baixa no mercado de capitais. Quanto aos 8 dias do pagamento que refere, sempre foi assim? Ou foi uma coisa que sempre podia ter sido feita e quando o Estado fez uma proposta igual à que a ANF tinha em vigor o senhor Cordeiro mandou fazer esta alteração? Se eu estiver certo e os 8 dias for uma coisa bastante recente então afinal a ANF está a fovorecer os seus associados?
Os sectores onde Portugal se destaca a nível mundial: Vinhos de mesa, sector do vidro, têxteis lar, sector de rolhas de cortiça e outros derivados, pavimentos e revestimentos cerâmicos, moldes, sector do cimento e alguns outros materiais de construção, sector da embalagem...
O seu terceiro ponto no comentário que deixou: Quantos sectores na economia pensa que têm margens legais a regular o seu funcionamento? A minha análise não é Portugal contra os outros países, é concorrência perfeita ou não. Existem neste sector restrições do lado da oferta, com limitação de entradas no sector, limites de propriedade e as restrições de natureza quantitativa.
Ponto número quatro: Compreendo que não haja confiança no governo, se estivesse no lugar de um proprietário de farmácia também não confiaria no governo, contudo penso que a ANF serve os farmacêuticos, mas não se servirá também dos farmacêuticos?
O seu quinto ponto: Não possuo dados referentes à densidade populacional do Reino Unido para comparar com Portugal, nem sequer da legislação local, estes factores podem enviesar uma análise tão simplista dos números.
A questão da concorrência por só haver 3 concorrentes na Noruega, compare os preços dos bens nas dezenas de lojas de bairro (antes das grandes superfícies) com os preços na cidade de Aveiro com a existência de grandes superfícies (Feira Nova, Carrefour, Jumbo, Pingo Doce), estas passaram a representar mais de 90% das vendas de produtos alimentares no concelho e os preços caíram drásticamente. A concentração não significa menos concorrência.
O seu ponto seguinte: o monopólio é comercial, não é só quando um bem é fornecido apenas por um fornecedora nível nacional, se preferir eu uso a palavra oligopólio. A verdade é que o lobby do sector tem mantido o número de participantes no sector limitado, com forte regulação criando monopólios locais como afirmei antes. Coloque-se na pele de uma morador na Torreira, acabou de sair do centro de saúde local com uma receita. A que farmácia vai? Tem algum incentivo a andar uns quilómetros para ir a outra farmácia? (eu estou a falar em média, sem casos particulares).
A ANF, desculpe se pensa de outra maneira, é o veículo que mantêm as coisas mais ou menos como estão, os prejudicados são os consumidores finais.
Por fim, a minha escolha para a localização de uma farmácia seria exactamente Canelas, se possível no largo do Campo da Cruz, quanto a mim seria o local que maximizaria o meu número de clientes no panorama actual. Não em Estarreja.
Quanto aos pagamentos, certamente não confiaria no Estado se estivesse na pele de um proprietário, certamente os 1,5% cobrados pela ANF não são pela bondade do coração do senhor Cordeiro mas sim pelo conhecimento de que nunca nenhum estabelecimento actual conseguiria uma taxa mais baixa no mercado de capitais. Quanto aos 8 dias do pagamento que refere, sempre foi assim? Ou foi uma coisa que sempre podia ter sido feita e quando o Estado fez uma proposta igual à que a ANF tinha em vigor o senhor Cordeiro mandou fazer esta alteração? Se eu estiver certo e os 8 dias for uma coisa bastante recente então afinal a ANF está a fovorecer os seus associados?
Os sectores onde Portugal se destaca a nível mundial: Vinhos de mesa, sector do vidro, têxteis lar, sector de rolhas de cortiça e outros derivados, pavimentos e revestimentos cerâmicos, moldes, sector do cimento e alguns outros materiais de construção, sector da embalagem...
O império contra ataca
Os Estados Unidos, um dos maiores defensores do comércio livre, poderá ter dado mais uma facada na já débil Organização Mundial do Comércio (OMC), ao ceder a mais um lobby e fazer subir as barreiras alfandegárias sobre as importações de papel (as barreiras são uma pauta comum, mas o país que eles pretendem atingir é a China). A verdade tem de ser dita que os E.U.A. são o país com as barreiras mais baixas de todo o mundo, mas as pequenas mudanças a que se tem assistido últimamente, mostram que está a produzir-se uma mudança de mentalidades. Os E.U.A. sobre o pretexto que os chineses estão a fazer dumping de alguns tipos de papel no mercado americano, usando um sistema quase generalizado de subsídios à indústria, levantará as barreiras impostas ao papel maioritáriamente usado para jornais, revistas e alguns livros. Parece que se vão seguir os sectores do têxtil, do aço e dos plásticos.
Talvez o comércio mundial seja bom quando se está a ganhar e a subsidiar a Microsoft para conquistar quota de mercado mundial, talvez os subsídios sejam produtivos quando se trata de apoiar a Boeing. A verdade é que o comércio mundial tem feito com que se ganhe bastante em termos de especialização e de preços mais baixos, mas é certo também que há sempre no final algumas pessoas (trabalhadores) que ficam a perder. Neste caso bastou uma empresa pelos vistos com bastante peso nos meios políticos norte americanos para fazer subir o protecionismo.
Quanto a Estarreja, as boas notícias parecem continuar pois aparentemente não haverá restrições na importação de Kiwis, o próximo motor do desenvolvimento local.
Talvez o comércio mundial seja bom quando se está a ganhar e a subsidiar a Microsoft para conquistar quota de mercado mundial, talvez os subsídios sejam produtivos quando se trata de apoiar a Boeing. A verdade é que o comércio mundial tem feito com que se ganhe bastante em termos de especialização e de preços mais baixos, mas é certo também que há sempre no final algumas pessoas (trabalhadores) que ficam a perder. Neste caso bastou uma empresa pelos vistos com bastante peso nos meios políticos norte americanos para fazer subir o protecionismo.
Quanto a Estarreja, as boas notícias parecem continuar pois aparentemente não haverá restrições na importação de Kiwis, o próximo motor do desenvolvimento local.
segunda-feira, 2 de abril de 2007
A ANF e o bem estar dos portugueses
Quem visse o blogue "O efervescente" esta semana pensaria que existe uma guerra entre o ministério da saúde e a ANF, quem lesse um pouco mais, pensaria até que os sector das farmácias é um sector de concorrência perfeita, onde o consumidor tem grandes possibilidades de escolha.
O sector das farmácias é apenas um sector com um volume de negócios de 3,2 mil milhões de Euros (valores de 2003), onde os medicamentos representam 92% deste valor e 90% destes dizem respeito a medicamentos sujeitos a receita médica. Com um crescimento de 8% entre 1999 e 2003 certamente este sector precisará de mais um pouco de protecção. A simpática reserva de actividade conseguida através de lobby dá um interessante valor em média de 1,25 milhões de Euros de volume de negócios por estabelecimento e uma margem líquida sobre as vendas de 6,8%.
Sinceramente se isto não é um lobby, porque é que existe limite de entrantes neste mercado? O número de concursos abertos todos os anos é motivo para rir. Uma margem bruta fixada administrativamente de 19,15%, claro que esta margem é de perto de 25% quando se fala de medicamentos sujeitos a receita médica(sim, tal como nos outros sectores da economia, nos medicamentos também há descontos dos grossistas). É aqui que entra a ANF, defensora de concorrência, desde que essa concorrência não ocorra no sector farmacêutico, no resto da economia, tudo bem. Com a esmagadora maioria das farmácias a serem associadas desta, descobriu uma maneira de ganhar dinheiro dos dois lados da barricada, mantendo os seus associados contentes com o lobby para manter o sector o mais longe possível da concorrência perfeita, cobra a estes uma percentagem para que estes recebam as suas dívidas atempadamente, do outro lado faz uma operação financeira, financiando-se no mercado de capitais e cobrando um valor superior ao Estado. Um caso claro de arbitragem. Ao mesmo tempo a ANF estende os tentáculos sobre a actividade individual de cada associado de forma a achar novas formas de mutação e colocar entraves sérios se algum dia alguém os tentar tirar do sector. Ou não estivessem já um pouco por todo o sector, com integração vertical e horizontal, mantendo os seus associados numa teia muito bem montada. A autoridade da Concorrência pensa mesmo que este comportamento inviabiliza a concorrência no mercado. Mas voltando às farmácias, com a entrada no mercado restrita, com medidas quantitativas, critérios geográficos e demográficos, para obter uma licença é preciso entrar num concurso com cariz administrativo e cumprir requisitos de capitação e distância entre farmácias (é bom ter um monopólio local não é meu caro Vladimiro Silva?).
Então em negociação entre o Estado e a ANF foi decidido que vai haver liberalização da propriedade mas as restrições de natureza quantitativa continuam (afinal ainda não queremos concorrência perfeita diz a ANF). Talvez haja receio que faltem técnicos qualificados para trabalhar nas farmácias caso os particulares consigam por a mão em alguma (não faltam)... Já agora, se por acaso alguém quiser contestar que isto é um monopólio, então primeiro vão descobrir o que é um monopólio de natureza comercial. Já agora, o meu caro Vladimiro Silva poderia esclarecer-me, no caso do software fornecido pela associação nacional de farmácias, se este não é utilizado pela mesma para detectar mudanças de comportamento de um associado? Ou pensava que os padrões comuns de gestão criados por este assocação eram para benefício apenas das farmácias? Já agora podia informar-me se não existe estudo nenhum em que se mostre que a liberalização total do negócio das farmácias e que a possibilidade de haver descontos seria significativamente benéfico para os consumidores.
O sector das farmácias é apenas um sector com um volume de negócios de 3,2 mil milhões de Euros (valores de 2003), onde os medicamentos representam 92% deste valor e 90% destes dizem respeito a medicamentos sujeitos a receita médica. Com um crescimento de 8% entre 1999 e 2003 certamente este sector precisará de mais um pouco de protecção. A simpática reserva de actividade conseguida através de lobby dá um interessante valor em média de 1,25 milhões de Euros de volume de negócios por estabelecimento e uma margem líquida sobre as vendas de 6,8%.
Sinceramente se isto não é um lobby, porque é que existe limite de entrantes neste mercado? O número de concursos abertos todos os anos é motivo para rir. Uma margem bruta fixada administrativamente de 19,15%, claro que esta margem é de perto de 25% quando se fala de medicamentos sujeitos a receita médica(sim, tal como nos outros sectores da economia, nos medicamentos também há descontos dos grossistas). É aqui que entra a ANF, defensora de concorrência, desde que essa concorrência não ocorra no sector farmacêutico, no resto da economia, tudo bem. Com a esmagadora maioria das farmácias a serem associadas desta, descobriu uma maneira de ganhar dinheiro dos dois lados da barricada, mantendo os seus associados contentes com o lobby para manter o sector o mais longe possível da concorrência perfeita, cobra a estes uma percentagem para que estes recebam as suas dívidas atempadamente, do outro lado faz uma operação financeira, financiando-se no mercado de capitais e cobrando um valor superior ao Estado. Um caso claro de arbitragem. Ao mesmo tempo a ANF estende os tentáculos sobre a actividade individual de cada associado de forma a achar novas formas de mutação e colocar entraves sérios se algum dia alguém os tentar tirar do sector. Ou não estivessem já um pouco por todo o sector, com integração vertical e horizontal, mantendo os seus associados numa teia muito bem montada. A autoridade da Concorrência pensa mesmo que este comportamento inviabiliza a concorrência no mercado. Mas voltando às farmácias, com a entrada no mercado restrita, com medidas quantitativas, critérios geográficos e demográficos, para obter uma licença é preciso entrar num concurso com cariz administrativo e cumprir requisitos de capitação e distância entre farmácias (é bom ter um monopólio local não é meu caro Vladimiro Silva?).
Então em negociação entre o Estado e a ANF foi decidido que vai haver liberalização da propriedade mas as restrições de natureza quantitativa continuam (afinal ainda não queremos concorrência perfeita diz a ANF). Talvez haja receio que faltem técnicos qualificados para trabalhar nas farmácias caso os particulares consigam por a mão em alguma (não faltam)... Já agora, se por acaso alguém quiser contestar que isto é um monopólio, então primeiro vão descobrir o que é um monopólio de natureza comercial. Já agora, o meu caro Vladimiro Silva poderia esclarecer-me, no caso do software fornecido pela associação nacional de farmácias, se este não é utilizado pela mesma para detectar mudanças de comportamento de um associado? Ou pensava que os padrões comuns de gestão criados por este assocação eram para benefício apenas das farmácias? Já agora podia informar-me se não existe estudo nenhum em que se mostre que a liberalização total do negócio das farmácias e que a possibilidade de haver descontos seria significativamente benéfico para os consumidores.
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