sexta-feira, 27 de julho de 2007

O acordo para o hospital

Este texto não é exactamente sobre o Hospital Visconde de Salreu, é mais geral sobre o Serviço Nacional de Saúde. Quando o SNS foi criado, a ideia por trás de tal projecto era que o SNS deveria ser gratuito no ponto de uso. Agora, um ministro e uma comissão por ele criada, mais não fazem do que imitar algumas ideias vindas de outros países e querem progressivamente aumentar os custos para os utilizadores.
O SNS é pago pelas pessoas que trabalham (através dos impostos), o SNS é um acordo entre os jovens e os mais idosos, os ricos e os pobres, os que pagam impostos e os que não pagam, entre os que estão bem e os doentes. É usado maioritáriamente pelos muito jovens, pelos mais velhos e pelos que não têm rendimentos.
Sucessivos incompetentes colocaram o SNS em declínio, onde ao melhor estilo da URSS as despesas aumentavam sem melhoria qualquer do serviço, o ministro sabe isso, tanto sabe que escreveu sobre isso, oportunamente, quando saiu do governo porque quando lá esteve nada podia fazer. O que o ministro está a fazer agora, à medida que a população envelhece e mais necessita do SNS é retirar serviços às mesmas pessoas que o andaram a financiar durante décadas com os seus impostos, pessoas como os meus pais.
As pessoas exigem a evolução do SNS, com um serviço mais rápido, acesso aos serviços quando precisam dele e não nos termos de quem fornece os serviços como o ministro quer fazer.
Eu duvido que esta reforma do ministro Correia de Campos vá convencer os utentes, que daqui a um ano os utentes do concelho sintam que têm mais do que actualmente. Gostava de saber como é que o ministro no futuro pretende convencer os contribuintes da minha geração que estão a receber por aquilo que lhes pedem para contribuir.
Se querem melhorar a eficiência do SNS, podiam começar por eleger para os cargos de direcção pessoas competentes, não pessoas convenientes.

Autor de blogue 1 - Gestor de conta 0

Há cerca de um mês, um gestor de conta num banco, tentava impingir-me uns fundos de acções, com um olhar de especialista que é capaz de convencer o mais desatento cliente que pense que aquele tipo realmente sabe do que fala (post aqui).
Esta semana não tem sido especialmente feliz para as bolsas mundiais, mesmo com estas quedas, não tiro uma única palavra ao que tinha referido antes. Já agora para quem investe em mercados emergentes, quando a bolsa dos E.U.A. descem, o efeito na América do Sul é exponencial relativamente às descidas nos E.U.A..

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Felicidade do nosso primeiro

José Eduardo Matos era todo sorrisos na noite de hoje. Talvez fossem só de circunstância mas não deveria mostrar tanta felicidade. Será que a chamada era de Correia de Campos com novidades?

terça-feira, 24 de julho de 2007

Campeonato Europeu de Patinagem

Hoje fui assistir às provas do europeu de patinagem, devo confessar que não entendo muito do desporto em causa mas no que diz respeito a emoção a coisa é contagiante e claro que quando se tem uma bancada cheia de pessoas, o espírito é sempre diferente.
Da observação sem qualquer rigor na análise, pareceu-me que os representantes da França e os da Itália tinham uma organização impecável, daí os seus bons resultados nas provas, durante alguns momentos a coisa parecia mesmo um desporto colectivo.
Quanto à organização, apenas o reparo para as condições dos quartos de banho. Talvez a Câmara Municipal de Estarreja pudesse dar uma mãozinha e fazia umas obras para que a rua e o estacionamento disponível estivesse mais ao nível do que acontece no pavilhão de Estarreja porque, de maneira alguma, aquelas ruas foram pensadas para comportar grande movimento.
Por último, gostava de fazer uma previsão, como acontece normalmente, as estatísticas comprovam o facto, sempre que se realiza um grande evento, a quantidade de jovens que aderem a esse desporto aumenta de forma bem expressiva. A minha previsão é que o número de praticantes vai aumentar na próxima temporada em Canelas.
P.S.: Pena a atleta portuguesa (Patrícia Leal?) nos 10 000 metros ter sofrido aquele acidente com o contributo da adversária espanhola, estava a fazer uma prova empolgante com consecutivas lutas pela fuga à eliminação.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Fábrica de ilusões

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa apresentou os números das suas receitas do primeiro semestre do ano. As vendas resultantes dos jogos sociais ascenderam a 691 milhões de euros. O Euromilhões representou 490 milhões, o Totoloto quase 62 milhões de euros e o Loto 2 quase 49 milhões de euros.
Os motivos que levam a tal facturação a partir de uma ilusão seriam melhor explicados por algum investigador ligado a algum tipo de ciência social mas, por algum motivo as pessoas compram a ilusão. A comunicação social dava grande cobertura ao embuste mas também estes parecem ter perdido o grande interesse que mostravam todas as semanas.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

O quê? Não pode ser.

Auditoria do Tribunal de Contas à administração do Porto de Lisboa. Conclusões fabulosas.

- 39% das receitas do Porto de Lisboa servem para pagar ao pessoal.
- Os estatutos para contratação de pessoal não foram considerados como priveligiando o mérito ou a avaliação de desempenho por objectivos (mas isto é novo?).
- Os senhores administradores, directores e chefes de divisão gastarão 829 mil euros nos próximos três anos, a este valor acrescerá um plafond trimestral para gasolina, portagens e estacionamento.
- A aquisição de bens e serviços não está regulamentado e não garante rigor de custos (a sério?)
- As obras efectuadas pela administração do Porto de Lisboa são pouco transparentes e não cumprem a lei.
- A administração do Porto de Lisboa procede frequentemente ao ajuste directo (eu gostei da nota que refere que apesar de não ser ilegal este procedimento não é o mais adequado à actuação de uma empresa pública...).
- A empresa não consegue indicar quais os montantes exactos dos empréstimos contraídos.
- Não há controlo dos desvios financeiros entre os projectos executados e os projectos iniciais (isso será realmente importante?)

Para não alongar muito o texto, apenas basta referir que o Porto de Lisboa é o maior porto nacional, com uma gestão destas, não vale a pena delinear estratégias para competir pelos portos nacionais.
Já agora para que estiver interessado pode consultar também a auditoria ao IPPAR.
Cambada de parasitas.

Questões do vinho

Só para colocar finalmente com clareza as questões de quem contribui para a produção excessiva de vinho, apesar de não haver qualquer medida de qualidade nos números, aqui ficam as produções em milhares de hectolitros de vinho em 2006:

- 1.º lugar, França 52105
- 2.º lugar, Itália 50566
- 3.º lugar, Espanha 35505
- 4.º lugar, Alemanha 9256
- 5.º lugar, Portugal, 7254
- 6.º lugar, Grécia 3997
- 7.º lugar, Roménia 2602
- 8.º lugar, Austria 2225
- Resto da U.E. aproximadamente 2040

Pois bem, com uma quota no total da produção da U.E. um pouco acima dos 4%, não me parece que o nosso ministro Jaime Silva deva saltar para a frente a oferecer a vinha portuguesa para que não haja sobreprodução na U.E..
Se Portugal reduzisse 10% a sua produção, o impacto na produção da U.E. seria uma redução de 0,44%. Mais, se todos os países excepto os 3 primeiros da lista, cumprissem a redução de 10%, o impacto na produção total seria de menos 1,65%.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Aditamento

Ao meu post anterior, só para acrescentar que a proposta foi rejeitada em todos os seus pontos fundamentais na segunda-feira. A minha grande surpresa foi que a França e a Alemanha lideraram a rejeição. Afinal eles achavam mesmo que só Portugal é que devia arrancar as suas vinhas. Só cá é que se produz mau vinho. O meu comentador tinha razão.